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O que 161 executivos de TI do Centro-Oeste deixaram claro no CIO Cerrado Experience 2026

O CIO Cerrado Experience reuniu, entre 12 e 16 de agosto, 161 executivos de tecnologia de 142 empresas no Tauá Resort, em Alexânia. Foram trinta apresentações de palco em dois dias, duas mesas redondas e doze blocos de networking. A Infomach acompanhou a edição inteira, e o que mais chamou atenção não estava nos slides: estava na composição da sala e no tipo de pergunta que se repetia no cafezinho.

Abaixo, cinco leituras da edição — todas verificáveis na lista de participantes e na agenda oficial — e o que cada uma significa para quem responde pela operação de TI de uma empresa do Centro-Oeste.

1. A sala não era de TI grande. Era de time enxuto com superfície de empresa grande.

Sessenta e quatro das 142 empresas presentes têm entre 200 e 1.500 colaboradores. É a faixa em que a companhia já opera vários sistemas críticos, várias unidades e uma cadeia de fornecedores conectada, mas o time de TI ainda cabe em uma sala de reunião. A superfície de ataque cresceu junto com o negócio; a equipe, não.

O efeito prático aparece na conversa: quase ninguém disse que faltava ferramenta. O que falta é gente e tempo para operar o que já foi comprado — revisar regra de firewall, fechar vulnerabilidade conhecida, testar restauração de backup, olhar alerta às três da manhã.

2. Metade da sala vem de cadeias que não podem parar

Cinquenta e três das 142 empresas são de agro, cooperativas e indústria de alimentos. Outras 27 são de varejo e atacado. São operações com safra, turno, câmara fria, frota e prazo de entrega — negócios em que a janela de parada programada é curta e a parada não programada tem preço por hora, não por incidente.

Para esse perfil, a pergunta relevante deixou de ser “fomos atacados?” e passou a ser “quanto tempo levamos para voltar?”. É uma mudança de eixo: sai o bloqueio, entra a resiliência — backup testado, plano de resposta escrito, papéis definidos antes do dia ruim.

3. Quinze empresas não mandaram uma pessoa. Mandaram o comitê.

Quinze das companhias presentes trouxeram duas ou mais pessoas da área de tecnologia — algumas vieram com três. Entre os 161 participantes, 36 eram de nível C ou diretoria e 86 ocupavam posições de head e gerência.

Comitê presente em evento é sinal de projeto em discussão interna, com orçamento em desenho. Ou a decisão de segurança e nuvem já saiu do porão técnico e virou pauta de conselho, ou vai virar no primeiro incidente relevante. A segunda opção é mais cara.

4. A agenda reservou mais tempo para conversa do que para palco

Somando os dois dias de conteúdo, as apresentações ocuparam pouco menos de oito horas. Os doze blocos de networking, coffee breaks e mesas redondas somaram cerca de oito horas — mais tempo do que todo o palco junto. O tema da edição, “arquitetando o futuro regenerativo”, apareceu menos nas apresentações e mais nas trocas entre elas.

É um desenho deliberado, e vale copiar internamente: as decisões de arquitetura que travam há meses raramente destravam em apresentação formal. Destravam quando as pessoas certas ficam meia hora na mesma mesa sem pauta.

5. A inteligência artificial saiu do piloto — e virou superfície de ataque

IA atravessou praticamente todas as conversas da edição, e o recorte mudou em relação a 2025. Não se discutiu mais se vale usar, mas o que acontece quando o modelo passa a ter acesso a dado sensível, integração com sistema de produção e agente rodando sozinho.

Esse foi o ponto que Fouad Ata, CTO da Infomach, levou à entrevista para a revista da edição:

“A inteligência artificial está ajudando tanto quem defende quanto quem ataca. A tendência é que a velocidade de detecção e resposta seja cada vez mais importante. Não basta mais proteger apenas o ambiente de produção: os próprios ambientes de teste, os modelos e os agentes de IA precisam ter monitoramento, isolamento e controles muito mais rigorosos.”

Fouad Ata, CTO da Infomach, em entrevista à revista do CIO Cerrado Experience 2026

Na mesma entrevista, ele lembrou o que sustenta a urgência: os ataques hoje são automatizados, e o criminoso não escolhe pelo tamanho da empresa — escolhe quem está mais vulnerável. O Brasil concentrou 84% de todas as investidas registradas na América Latina em 2025, com mais de 753,8 bilhões de tentativas de ataque, segundo o FortiGuard Labs.

Cinco verificações que não dependem de orçamento novo

  1. Duplo fator em tudo que é acesso remoto e administrativo. Não só e-mail: VPN, console de nuvem, ERP, painel de fornecedor.
  2. Teste uma restauração de verdade. Backup que nunca foi restaurado é uma hipótese, não um plano.
  3. Liste quem tem privilégio além do necessário. Inclua contas de serviço, ex-colaboradores e terceiros com acesso permanente.
  4. Escreva quem faz o quê na primeira hora de um incidente. Nome, telefone, ordem das decisões, quem fala com o jurídico e com o cliente.
  5. Trate o ambiente de IA como produção. Se um modelo ou agente lê dado do negócio, ele precisa de log, isolamento e revisão de permissão como qualquer outro sistema crítico.

Nenhuma dessas cinco exige um invasor sofisticado do outro lado. Todas cabem em uma semana de trabalho. E são exatamente as portas por onde a maior parte dos ataques entra: falhas básicas de configuração, identidade e atualização respondem por 45,2% dos casos, e outros 26,2% usam credenciais válidas — sem invadir nada, apenas entrando. Ainda assim, só 23% das organizações têm processo estruturado para retomar a operação depois de um incidente, segundo o Panorama do Risco Cibernético no Brasil 2026, da consultoria Vultus.

Descobrir de que lado desses 23% sua empresa está não deveria acontecer no dia do ataque.

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